Durante mais de duas décadas, a senhora Lurdes acordou antes do nascer do sol para montar a sua banca no mesmo ponto do mercado de Maputo. Chuva, calor, ciclone ou pandemia — ela nunca faltou. A sua vida inteira foi construída ali, entre clientes que viraram amigos e histórias que poucas pessoas conhecem.
O início humilde que virou rotina de 20 anos
Lurdes começou a vender legumes quando tinha apenas 27 anos. Na época, o marido havia perdido o emprego e ela decidiu que não deixaria a família passar fome. Comprou meia caixa de tomate e improvisou uma banca feita de tijolos. No primeiro dia, vendeu tudo.
O mercado, que a princípio era apenas um escape financeiro, transformou-se no seu principal pilar de sobrevivência — e mais tarde, na sua maior fonte de orgulho.
As lições que aprendeu vivendo do mercado
Com o tempo, ela percebeu que o mercado não é apenas um espaço de comércio — é um lugar onde vidas se cruzam diariamente. Viu crianças crescerem, vizinhas mudarem, clientes desaparecerem sem explicação.
Segundo ela, o segredo para sobreviver tantos anos ali é simples: “Não desista. As pessoas só compram de quem está sempre presente”.
A força das mulheres que sustentam lares
A história de Lurdes representa milhares de mulheres moçambicanas que fazem do mercado o seu campo de batalha diária. Mesmo sem reconhecimento oficial, são elas que alimentam bairros inteiros e sustentam famílias inteiras apenas com vendas diárias.
O futuro depois de duas décadas no mesmo lugar
Hoje, aos 47 anos, Lurdes afirma que não pensa em abandonar o mercado. “Se eu faltar um dia, as pessoas perguntam se estou doente. Aqui é a minha família também”, diz com orgulho.