Apesar de sinais recentes de desaceleração da inflação e de promessas públicas de estabilização, muitas famílias continuam a sentir o aumento do custo de vida no dia a dia — desde o preço dos alimentos e dos combustíveis até às despesas de transporte e energia. Este artigo explica, com base em dados e fontes oficiais, por que essa sensação persiste e o que pode mudar em 2026.
O quadro atual: inflação, salários e percepções
Os indicadores mostram que a inflação anual esteve controlada em 2024–2025, com níveis médios em torno de 4–5% segundo projeções e dados recentes — um alívio comparado a picos anteriores, mas ainda insuficiente para reverter choques de preços locais e setoriais.
Por que a desaceleração não chega ao bolso das famílias
Há pelo menos quatro razões concretas para essa discrepância:
- Choques nos preços de alimentos e logística: mesmo quando a inflação média cai, produtos alimentares e bens transportados via rodovias ou fronteiras continuam voláteis devido a custos de transporte e interrupções na cadeia de abastecimento.
- Impacto dos combustíveis: variações nos preços de combustível têm efeito multiplicador nos preços finais dos bens; apesar de reduções pontuais anunciadas pelas autoridades reguladoras, o custo do combustível ainda pressiona os rendimentos domésticos.
- Rendimento real estagnado: salários que não acompanham o ritmo de aumento dos preços nominais reduzem o poder de compra, e a recuperação do emprego formal tem sido lenta.
- Expectativas e pesos locais do CPI: índices de inflação agregados podem mascarar aumentos em bens essenciais com maior peso no consumo das famílias de menor rendimento.
O que os indicadores macro mostram (resumido)
Organizações internacionais e observatórios econômicos apontam para um cenário de crescimento moderado — com projeções de crescimento entre cerca de 2–3% para 2025 e inflação média projetada próxima dos 4–5% — mas com riscos de subida em 2026 se choques de oferta ou de câmbio ocorrerem.
Políticas recentes e medidas anunciadas
O Governo e reguladores têm anunciado medidas para mitigar o impacto do custo de vida, como revisões na estrutura de preços dos combustíveis e cortes de taxa de juros pelo banco central para estimular a economia. Essas ações podem aliviar alguns custos, mas os efeitos práticos dependem da implementação e do comportamento dos mercados.
O que esperar em 2026 — três cenários plausíveis
1) Cenário favorável (estabilidade) — se os preços internacionais de commodities permanecerem moderados, a política monetária continuar sincronizada com a desaceleração inflacionária e medidas de proteção social forem ampliadas, a pressão sobre o consumo poderá diminuir.
2) Cenário de risco (alta de preços) — choques externos (subida do petróleo, problemas nas cadeias de fornecimento ou depreciação acentuada do metical) podem reverter ganhos e elevar custos em 2026. 4
3) Cenário estagnado (crescimento fraco, inflação moderada) — a economia cresce pouco, rendimentos não recuperam e a perceção pública de aumento do custo de vida permanece, alimentando descontentamento social.
O que pode ser feito — propostas práticas
Para reduzir o impacto imediato sobre famílias vulneráveis e tornar a desaceleração inflacionária mais sentida, as medidas mais efetivas incluem: apoio direto a famílias de menor rendimento (transferências condicionadas), subsídios temporários a combustíveis essenciais, melhoria da logística e redução de custos de transporte, e maior transparência nos contratos públicos que afetam preços de energia e alimentos.
Conclusão
A desaceleração da inflação é um passo positivo, mas não resolve automaticamente as pressões sentidas no dia a dia das famílias. A combinação entre políticas públicas bem direcionadas, queda real nos preços de combustível e alimentos, e recuperação do rendimento real será determinante para que 2026 não seja apenas uma promessa de estabilidade, mas um ano em que essa estabilidade seja percebida na carteira do cidadão.