Nos últimos anos, raptos em Moçambique voltaram a preocupar cidadãos e autoridades: desde sequestros de empresários nas zonas urbanas até abduções de crianças em zonas em conflito, os episódios geram medo, pressão económica e exigem respostas mais eficazes das forças de segurança e das instituições competentes. Nesta reportagem compilamos factos verificados sobre o fenómeno, os números disponíveis e o impacto prático nas comunidades.
O que os dados recentes mostram
Autoridades em Maputo registaram 17 casos de sequestros de empresários no último ano — um aumento significativo face aos anos anteriores.
Casos emblemáticos e padrão de atuação
Em 2025, um empresário foi raptado no centro de Maputo, num caso denunciado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), que considera o crime um “golpe duro” na confiança de investidores e no ambiente de negócios.
O rapto de menores e zonas de conflito
Em paralelo aos crimes urbanos, o Norte do país enfrenta um fenómeno distinto e gravíssimo: ataques de grupos armados na província de Cabo Delgado têm levado a raptos de crianças e civis — incluindo abduções relatadas por órgãos internacionais de direitos humanos.
Impacto económico e social
Segundo relatório da Financial Intelligence Office of Mozambique (GIFiM), desde 2014 os sequestros geraram cerca de 33 milhões de dólares em lavagem de dinheiro — evidenciando que o problema não é pontual, mas parte de um esquema mais amplo de criminalidade organizada.
Resposta institucional e desafios persistentes
Entre 2011 e março de 2025, foram registados pelo menos 205 crimes de rapto com 302 pessoas detidas — segundo dados oficiais do Governo. Mesmo assim, autoridades admitem existir “desafios” para conter o fenómeno, especialmente pela sua complexidade e rede de apoio clandestina.
Medidas urgentes recomendadas
Especialistas e representantes do setor privado defendem reforço do policiamento em áreas críticas, criação de unidade especializada anti-raptos, melhor vigilância de fronteiras, cooperação internacional e apoio às vítimas — como forma de frear o modelo criminoso de sequestros por resgate.
Conclusão
O fenómeno dos raptos em Moçambique assume hoje várias faces — desde crimes urbanos contra empresários até abduções de civis em zonas de conflito. Acabar com esse ciclo exige ação coordenada, investigação rigorosa e compromisso das autoridades. A vigilância e a ação comunitária também são peças chave para recuperar a segurança e a confiança pública.