Em 19 de outubro de 1986, o avião presidencial que transportava Samora Machel caiu em Mbuzini, na África do Sul — um momento que marcou profundamente a história de Moçambique e do Sul da África. Décadas depois, muitos aspetos desse acidente continuam envoltos em dúvidas e versões conflitantes, o que torna urgente revisitar os factos, reexaminar os documentos públicos e recordar o que é realmente conhecido.
O que se sabe oficialmente
- O avião era um Tupolev Tu-134A e seguia de Mbala (Zâmbia) para Maputo.
- O acidente ocorreu em zona montanhosa perto de Mbuzini, nos Montes Lebombo.
- Dos passageiros e tripulação, muitas vítimas morreram — contabiliza-se um alto número de mortos.
- Comissões de inquérito da época apontaram várias hipóteses, incluindo erro de pilotagem.
- Algumas investigações levantaram a hipótese de que um sinal de baliza falso (decoy beacon) poderia ter desorientado a aeronave.
- Relatórios posteriores, incluindo análises da TRC (Truth and Reconciliation Commission) da África do Sul, indicaram que não havia provas conclusivas que confirmassem definitivamente uma única versão.
Por que as dúvidas continuam?
Existem divergências entre relatórios de diferentes países e equipas técnicas, relatos de sobreviventes que nem sempre coincidem com as versões oficiais e a ausência de um inquérito público internacional com acesso total aos documentos originais e às caixas-pretas — fatores que mantêm o caso na esfera das perguntas não totalmente respondidas.
Pontos frequentemente ignorados
- A razão exata da mudança de rota do avião não foi explicada de forma clara e transparente em todas as versões.
- Alguns instrumentos recuperados e peças da aeronave foram analisados, mas nem todos os relatórios técnicos foram tornados públicos ou reconciliados entre si.
- Testemunhos de sobreviventes e de pessoas na área apresentam detalhes que por vezes não aparecem integrados nos relatórios oficiais.
Análise
Passadas décadas, a ausência de uma versão única e incontestável torna o episódio um exemplo de como a investigação sobre eventos sensíveis pode ficar fragmentada. Para o povo, isso significa não apenas a perda de um líder, mas a persistência de dúvidas que alimentam desconfiança e teorias — e que exigem, quando possível, mais transparência e acesso a documentos.
Questões que continuam sem resposta
- Quem — se alguém — teria interesse real em desviar um avião presidencial naquela época?
- Por que os relatórios divergentes nunca foram reconciliados oficialmente com transparência total?
- Por que nunca houve um novo inquérito público e internacional com acesso completo aos documentos originais, instrumentos de voo, caixas-pretas e perícias independentes?
- Até que ponto interesses políticos regionais (apartheid, Guerra Fria, oposição) podem ter influenciado os eventos?
Baseado em documentos históricos públicos, relatórios oficiais internacionais e investigações já publicadas. Esta matéria não pretende acusar, mas sim questionar as versões oficiais e mostrar ao povo o que é conhecido — e o que permanece sem explicação.